Podcast Fonte Consciente – Episódio 2: tendências de consumo com Michel Alcoforado

O episódio 02 do Fonte Consciente recebeu Michel Alcoforado, antropólogo e sócio da Consumoteca, para uma conversa sobre comportamento do consumidor, percepção da água e as transformações culturais que impactam as marcas. Ao longo da entrevista, foram abordados temas como digitalização, inteligência artificial, diferenciação de produtos, posicionamento de marca, gerações, personalização e escuta ativa.

Digitalização e inteligência artificial como forças de transformação

Michel aponta a digitalização como uma das maiores transformações da relação das pessoas com o mundo. O uso constante do celular mudou a forma de comprar, se informar, se locomover e se relacionar com produtos e marcas.

Além disso, ele destaca que a inteligência artificial passa a ter papel central na curadoria do consumo, influenciando o que as pessoas escolhem, o que evitam e quais prioridades assumem no dia a dia. Segundo ele, esses dois movimentos são fundamentais para entender o comportamento do consumidor daqui para frente.

A água como bem essencial e o desafio da diferenciação

Ao tratar especificamente do setor de águas, Michel ressalta que a água é um produto tão essencial que muitas vezes as pessoas pensam pouco sobre ela. O grande desafio das marcas, segundo ele, é mostrar ao consumidor que a água não é tudo igual.

Ele cita exemplos como:

  • as diferenças percebidas ao experimentar águas de fontes naturais,
  • a diversidade de sabores em parques de água,
  • e a diferença entre fontes em diferentes regiões e países.

Apesar disso, o fato de a água ser indispensável à vida faz com que essas diferenças nem sempre sejam percebidas no consumo cotidiano. Para Michel, o setor precisa comunicar de forma clara o impacto dessas diferenças, mostrando que existem águas diferentes para sedes diferentes.

Posicionamento de marca e o exemplo do vinho

Ao falar sobre diferenciação e valor, Michel compara o setor de águas ao processo de sofisticação do consumo de vinho no Brasil. Ele relembra que, no passado, a escolha do vinho era simplificada, enquanto hoje o consumidor reconhece:

  • tipos de uva,
  • regiões,
  • marcas,
  • e estilos.

Para ele, o setor de águas pode seguir caminho semelhante, desde que:

  • não transforme esse processo em algo didático demais,
  • nem em algo excludente ou elitista, já que a água faz parte da dieta básica de qualquer ser humano.

Gerações, influência e cultura da hidratação

Michel observa que o hábito de beber água ganhou visibilidade social. Copos grandes, garrafas personalizadas e a cultura da hidratação passaram a ocupar espaço no cotidiano das pessoas. O desafio, segundo ele, é que as pessoas falam mais sobre o ato de beber água do que sobre qual água estão bebendo.

Nesse contexto, ele destaca a importância de estimular o consumidor a ter vontade de falar sobre a água que consome, fortalecendo a relação com marcas e ampliando o valor simbólico do produto.

Contextos de consumo e personalização

Outro ponto central da conversa é a importância de entender os diferentes contextos de consumo da água, como:

  • ao acordar,
  • após atividades físicas,
  • em dias de calor intenso,
  • durante a rotina de trabalho,
  • ou em momentos de fome.

Para Michel, categorizar esses contextos é fundamental para que as marcas consigam construir diferenciação e oferecer experiências mais alinhadas às necessidades das pessoas.

Personalização e novos significados do produto

Ao abordar a personalização, Michel afirma que o futuro do setor passa por compreender que a indústria não vende apenas água. Segundo ele, a água também pode representar:

  • refrescância,
  • ruptura da rotina,
  • recuperação física,
  • bem-estar.

Nesse sentido, olhar para mercados correlatos e para experiências associadas ao consumo torna-se parte estratégica da construção de valor.

Valor de conversa e construção de marca

Para Michel, um dos fatores que vão definir o consumo nas próximas décadas é o valor de conversa. Ele explica que, quando as pessoas não têm vontade de falar sobre um produto, ele permanece apenas como uma “coisa”. O produto, de fato, nasce quando passa por um processo de posicionamento na mente do consumidor.

Quanto maior o engajamento e a vontade de falar sobre a marca, maior tende a ser seu valor percebido.

Escuta ativa como base para a liderança e a inovação

Na mensagem final, Michel reforça que ouvir o consumidor é o ponto central para marcas e lideranças. Ele destaca que a escuta pode vir tanto de grandes pesquisas quanto da observação cotidiana e das conversas simples.

Segundo ele, é ouvindo que se fala melhor e se constrói algo mais relevante.

Para quem está em posição de liderança, ouvir muito é condição essencial para não se perder.

Assista ao episódio e acompanhe o
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