A fábula chinesa e o momento atual…
Passado o Congresso, onde discutimos as perspectivas e o futuro do nosso setor frente à velocidade do avanço das novas tecnologias, que nos impõe maior agilidade para acompanhar as transformações em curso, julgo apropriado relembrar aqui a fábula chinesa da minha palestra na abertura do encontro.
Um poderoso imperador que, para descansar das suas conquistas, construiu um palácio em um lugar afastado onde pudesse desfrutar da calma e do silêncio. Mas eis que sua tranquilidade é interrompida com o som de continuadas marteladas. Indignado, o imperador descobre que se trata de uma família de ferreiros e ordena que eles mudem de lugar, sob pena de serem mortos.
Qual não foi a surpresa do imperador quando logo depois voltou a ouvir as mesmas marteladas! E mandou trazê-los ao palácio novamente. O ferreiro e sua família negaram que não haviam obedecido às ordens do imperador, argumentando: “Nós cumprimos a sua ordem, mudamos do lado do esquerdo para o lado direito.”
Moral da história: nestes tempos de transição não podemos mais aceitar mudanças que sejam meramente de siglas, como é o caso do DNPM para ANM – Agência Nacional de Mineração. É preciso que haja uma mudança efetiva de atitude.
É inconcebível que uma análise técnica do LAMIN, por exemplo, demande nove meses para ser realizada. É insustentável o argumento de falta de pessoal para realizar a fiscalização sanitária. A modernidade está aí, existem meios eletrônicos para isso.
Não vou me estender a tantas outras situações que mencionei na palestra, mas reforço a necessidade e urgência de que os órgãos reguladores do nosso setor, como a ANM, a Vigilância Sanitária e a própria Anvisa, não sejam mais um gargalo para o desenvolvimento da nossa atividade.
Diante dos grandes desafios que temos à frente para reerguer o Brasil, precisamos nos unir. Fica aqui registrado a nossa confiança nas autoridades e técnicos para a implantação efetiva da ANM.
Que o órgão assuma o compromisso de ‘azeitar’ as engrenagens da velha burocracia que emperra os motores do progresso e do desenvolvimento da nossa atividade. Só assim, teremos condições de contribuir para a geração de riquezas neste país.
Carlos Alberto Lancia
Geólogo e presidente da Abinam